Brasília, 14 de fevereiro de 2007
Olá amiga;
É com enome carinho que escrevo esta carta para você novamente. Fiquei muito feliz de receber o seu telegrama me contando da sua nova vida em São Paulo.
Quanta saudade tenho sentido de você, de nossa infância, das nossas bincadeiras no quintal do seu avô. Lembro de quando subimos no pé de mangueira, de quando brincávamos de amarelinha de pega ladrão, do seu primeiro selinho quando brincávamos de caí no poço. Como essas lembranças conseguem ser pra mim tão contraditórias, sinto uma felicidade imensa de lembrar como éramos felizes em toda aquela simplicidade e ao mesmo tempo, uma imensa tisteza de tudo isso quase não existir mais, de como as bincadeiras com o passar do tempo ficaram tão arcaicas. Hoje com a internet, a modernização de tudo a cada dia mais as relações se estreitam e amizades sinceras como a nossa é quase uma raridade. Não que eu ache que as pessoas perderam a capacidade de dar e receber carinho, mas a nossa correria e tumulto do dia a dia dos grandes centros, nos fazem assim anônimos em meio a multidão e foi assim que me senti quando mudei para Brasília, tamanha frieza da maioria das pessoas. Sabe que esses dias eu comprimentei uma moça no metrô e ela não respondeu, então eu insisti e sorri para ela, e ela me retribuiu dizendo “olha o meu negócio é homem viu “, seria cômico se não fosse trágico. Isso é cada dia mais freqüente dado a nossa falta de tempo de ser atencioso com as pessoas.
A minha carta também tem outros objetivos, quero te contar, as minhas aulas começaram na semana passada e a minha primeira aula foi de filosofia. Nela fizemos o que fiza agora, imaginar, o professor leu um texto e pediu que os alunos imaginassem as personagens, lembrei na mesma hora da nossa infância, o Divininho personagem principal da história poderia ser eu, o seu irmão e você, só que em tempos contemporâneos mas o quintal da história lembrava muito o do seu avô e aí eu viajei, fui para quando tínhamos nove anos e acredite: essa foi a temática da aula, consegui resgatar nossa imaginação, leitura e escrita. Espero imensamente que esse objetivo seja alcançado no final do semestre, eu me habilitei, me coloquei a disposição, você sabe a dificuldade que tenho mas achei a idéia inteligente e inovadora. Também nem tive a oprtunidade de falar do curso de filosofia que fizemos na Nova Crópole e sei que quando estiver lendo esta carta poderei falar de todos os aspectos positivos que já foram tantos mas espero poder falar de alguns como por exemplo: não me satisfazer mais com respostas seqüenciais que não atinja a essência do saber de um determinado poblema. Me fundamentar na realidade com o objetivo de atingir o sentido das coisas e do ser humano, suscitar perguntas, instigando as respostas mais diversas, todos esses questionamentos nos fazem ser uma pessoa melhor.
A filosofia do direito parte de dogmas pré-estabelecidos para indagações, transcedendo o conhecimento positivo através de uma análise crítica que levará a um conhecimento mais completo e justo tanto da interpretação como da aplicabilidade das leis. Esta anális nos será possível através do ato de pensar, que nada mais é do que uma forma de aprender básica para qualquer atividade futura que exija reflexão, conclusão, julgamento, avaliação tão importante para o estudo do direito.
Espero ter alcançado meu objetivo com esta carta para os meus colegas de turma: a importância do estudo da disciplina. Querida quero também parabenizar você pela sua maternidade. Desejo que você tenha cada dia mais forças para acreditar que no futuro baseado em tudo o que faremos daqui pra frente seja fraterno, que as pessoas se compreenderão e amarão cada dia mais, que o respeito o carinho e a amizade será a base de toda e qualquer relação e que os princípios lá da Revolução Francesa, seja de fato o lema da vida das pessoas: liberdade, fraternidade e igualdade.
Carinhosamente,
Lorena Marinho.